quarta-feira, 26 de maio de 2010

INDAGAÇÕES ...

Tenho observado, transitado, lido as mais variadas postagens e também logicamente, contribuído com materiais.
Contudo, uma preocupação tem me aflorado e que já compartilhei com alguns colegas: percebo que, como educadores, estamos fazendo uso de autores como Freire, Vygotsky, Piaget, ..., para justificar os benefícios das ferramentas, de máquinas, como o computador, por exemplo.
Entretanto, estes autores e suas teorias foram criadas e vivenciaram outros contextos e nós, neste mundo atribulado, apropriamo-nos e resignificamos as suas teorias, suas frases e até mesmo, algumas palavras perdidas.

Será que estes sujeitos, se estivessem vivos, pensariam da mesma forma e nos dariam permissão para fazer uso de suas ideias no nosso contexto?

Apesar de também fazer uso, tenho me policiado nas referências ...

Atenciosamente
Um professor refletindo ...
(Figura do arquivo pessoal: Adriano)

2 comentários:

  1. Adriano,
    excelente colocação a sua.

    Como o computador e suas ferramentas são recursos a serem utilizados no ensino, precisamos refletir sobre as teoria que embasam nosso fazer docente e como o computador pode ser utilizado para potencializar a aprendizagem de nossos estudantes.

    Neste sentido lanço o seguinte desafio: em qual teoria de aprendizagem a interação mediada por computador é mais adequada para ensejar maior aprendizagem nos estudantes? Por quê?

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  2. Ana...
    Não sei se é apenas uma questão de embasamento, de forma pura e simples.

    Acredito que isto se tornou uma rotina para redação de trabalhos acadêmicos. Lê-se uma frase e coloca-se num contexto totalmente adverso.

    Por exemplo, escreve-se em ensino como transmissão de conhecimento e logo após em Paulo Freire.
    Ou vejamos uma situação do material que li no moodle, falava-se em equipes multidisciplinares e em interação...
    (Bom, não vou chateá-la com as referências, para mostrar que isto é contraditório.)

    Tento fazer uso do sociointeracionismo de Vygotsky,segundo a qual o desenvolvimento humano se dá em relação nas trocas
    entre parceiros sociais, através de processos de interação e mediação. Porém, seus conceitos de interação e mediação não podem em momento algum serem utilizados de "forma adaptada". Há a necessidade de contexto.

    Não percebo nenhuma teoria que se adapte integralmente ao que propões, de forma direta. Repito sempre, estamos "engatinhando" neste processo, e as teorias deverão ser novamente contextualizadas. Por enquanto, há uma supervalorização da "ferramenta" computador e está-se deixando de lado os envolvidos.
    Minha experiência como professor da UAB, já me mostrou isso: nada substitui um diálogo, um encontro presencial.
    Um exemplo:
    Esta semana tive que consolar uma aluna que está com câncer...
    Isto também faz parte da aprendizagem e da interação, tanto do professor como do aluno, e se no presencial não há teoria, pelo computador muito menos, que dê suporte para isto.

    Um abraço, obrigado...
    Atenciosamente

    ADriano

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